Segunda-feira, Novembro 29

Taxa de ocupação de UTIs no Rio Grande do Sul por covid-19 apresenta aumento e interrompe melhora

Após melhorar significativamente dia após dia a partir de junho, a ocupação de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) por pacientes com coronavírus no Rio Grande do Sul tem apresentado ligeiro aumento e mostra indicativos de piora na última semana, conforme estatísticas da Secretaria Estadual da Saúde (SES-RS).

Se no fim de setembro a média diária de internados em leitos intensivos chegava a ser entre 15% e 20% menor do que duas semanas antes, a partir de quinta-feira (28) a média começou a registrar aumento entre 0,4% e 7,5%, segundo dados do governo estadual.

O ápice é neste sábado (2), quando a média móvel de internados em UTIs por covid-19 no Rio Grande do Sul é de 448 pacientes, patamar 7,5% maior do que o registrado duas semanas atrás, quando havia 417 hospitalizados em terapia intensiva.

Estes pequenos aumentos, ainda que dentro de uma certa estabilidade, chamam a atenção de analistas porque, desde junho, a média caía diariamente na comparação com duas semanas antes – ainda assim, há consenso de que é preciso aguardar mais semanas para entender se este é um momento de piora ou apenas de variação casual.

A análise de ocupação hospitalar é um dos preditivos para averiguar se a epidemia recrudesce ou não. A comparação da média móvel de internados de um dia em relação ao mesmo dia de duas semanas antes permite traçar análises mais seguras em vez de apenas confrontar o indicador com o do dia anterior.

A proporção de leitos livres de UTI caiu: neste sábado, há 2,98 leitos livres para cada ocupado – no sábado da semana passada, eram 3,19.

Os pequenos aumentos na ocupação ocorrem em um momento no qual o Rio Grande do Sul atinge maior cobertura vacinal, com 50% de toda a população com esquema completo e 75% com uma dose. Os patamares atuais de imunização, contudo, ainda não são suficientes para atingir a imunidade coletiva e vencer a covid-19.

Estabilizar a ocupação de leitos a despeito do avanço da cobertura vacinal não deve alarmar, mas servir como sinal para que a população mantenha o uso de máscaras e privilegie encontros ao ar livre, pondera o cientista de dados Isaac Schrarstzhaupt, coordenador da Rede Análise Covid-19.

Ele diz que, a menos que haja novas variantes, o Rio Grande do Sul não deve registrar nova onda como visto no início do ano, mas que a sociedade não deveria normalizar o nível atual de mortes, e sim almejar maior controle da transmissão.

— São níveis mais baixos em comparação ao resto da pandemia, mas altos em relação a antes da covid. No Brasil, por exemplo, hoje são 500 óbitos por dia. Isso é muito para uma única síndrome respiratória. É ainda cedo para dizer que vencemos a covid, temos que baixar mais esses números. Não deveríamos estabilizar na faixa atual de óbitos — destaca o cientista de dados.

Na quinta-feira (1º), o governador Eduardo Leite emitiu avisos, dentro do sistema 3As de monitoramento da pandemia, a três regiões em virtude da piora em indicadores: Capão da Canoa, no Litoral Norte, Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, e Passo Fundo, no Norte.

Ainda que haja maior uso de leitos intensivos, a pressão hospitalar atual deve ser dimensionada. No comparativo com a ocupação há um mês, há 17,1% menos gaúchos hospitalizados neste momento – em 2 de setembro, eram 540,6 pessoas em estado gravíssimo internadas.

Além disso, os níveis de ocupação hospitalar estão muito distantes do pior momento da epidemia, quando o Rio Grande do Sul chegou a uma média de quase 2,6 mil internados por dia, no fim de março. Setembro, ainda por cima, foi o mês com menor número de vítimas da covid-19 no ano, com queda de 24% frente a agosto.

A ocupação de leitos clínicos, para casos de menor gravidade, dá sinais de estabilidade, com média de 467 gaúchos internados, cerca de 3% acima do registrado há duas semanas. No pior momento da epidemia do Rio Grande do Sul, no fim de março, hospitais chegaram a atender uma média de quase 5.350 pacientes diariamente.

Fonte: GZH

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