Quarta-feira, Novembro 25

MP acredita que morte de Camila foi premeditada

 

Um crime premeditado que dificultou a defesa da vítima e até mesmo a junta de provas para o processo, assim foi definido pelo promotor de justiça de Frederico Westphalen, Denis Gustavo Gitrone, o homicídio de Camila Centenaro, ocorrido em 27 de setembro de 2019, na Linha Peretto, interior do Município de Vista Alegre, entre 18h10min e 19h40min.

Um processo extenso com mais de 700 páginas, que tramita em segredo de justiça, foi encaminhado ao judiciário ainda no fim de abril, mais de 30 pessoas foram ouvidas e diversas provas periciais foram produzidas e juntadas no processo, de acordo com o promotor. “Esse caso, em especial, possui uma gravidade que se acentua muito pelo modo como as coisas aconteceram, envolvendo um estratagema, um planejamento. Foi um crime premeditado, que dificulta as investigações”, salientou ao destacar que isso, pode ter sido um fator que postergou essa indicação do autor.

Sobre o andamento do processo Gitrone explica que a primeira fase, a de investigação fica a cargo da Polícia Civil, ao concluir o inquérito a PC encaminha para o judiciário que remete ao Ministério Publico que é quem oferece a ação a partir da analise das provas. “É com base nos elementos probatórios que o MP oferece a acusação contra o suspeito, suspeito porque ainda não foi julgado, mas nós, através das provas, temos a convicção que o ex-marido de Camila o Jonatan Klauck, 29 anos, é o autor do delito”, reforçou o promotor.

A denúncia narra que o homem ateou fogo na vítima e no veículo dela, causando sua morte. Antes de matá-la, no entanto, o denunciado a atraiu até sua casa, no Centro de Taquaruçu do Sul, onde ambos viviam juntos, e agrediu a vítima mediante uso de instrumento contundente (não apreendido), causando lesões nos ombros, braços, pernas e cabeça.

Para o MP, o crime foi praticado por motivo torpe, pois o acusado agiu com o intuito de ficar com o patrimônio do casal, e também por sentimento de posse, pois não aceitava a separação. Também, foi cometido mediante emprego de meio cruel, uma vez que ele ateou fogo no corpo da vítima, causando sofrimento excessivo e desnecessário. O feminicídio foi praticado por dissimulação, pois ele atraiu a ex-companheira até a moradia antiga do casal com a promessa de que lhe devolveria valores em virtude do fim da relação. Ela foi atacada sem poder se defender, pois o ex-companheiro atingiu Camila com golpes por todo o corpo. A mulher estava desarmada e não esperava ser atacada pelo pai de sua filha, o que lhe dificultou a defesa e fuga.

O promotor destaca que o suspeito agora, deverá apresentar suas manifestações contraditórias as provas, ou seja a sua defesa. “Somente agora é que, de fato, iniciou o processo”, simplificou.

O que alega a defesa

Nesta segunda-feira, 18, foi anexado aos autos do processo a resposta à acusação. De acordo com o advogado Demetryus Grapiglia o seu cliente nega totalmente a participação no crime, confirma que a vítima esteve na residência que dividiam antes da separação, que de lá saiu com vida e bem, carregando alguns pertences e uma quantia em dinheiro e que todos os tramites de divisão de bens e da própria separação estavam ocorrendo de forma amigável.

O advogado salienta ainda que fez algumas solicitações ao judiciário e que oito testemunhas foram indicadas para a defesa de Jonatan Klauck. “Defendemos a tese de que a morte tenha ocorrido de forma acidental ou, se houve crime, este ocorreu sem a participação de Jonatan. Inclusive, dentro dos nossos pedidos, solicitamos ter acesso aos destroços do veículo para a realização de uma nova perícia, uma perícia particular”. comentou Grapiglia.

A defesa contesta ainda, outros argumentos apresentados pelo MP e garante ter subsídios que comprovem a não participação do ex-companheiro de Camila, no crime.

Klauck está preso preventivamente desde 14 de abril e encaminhado ao Presídio Estadual de Frederico Westphalen. (Grupo Chiru)

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