Um dia após o secretário estadual da Saúde, Francisco Paz, anunciar em entrevista coletiva que as causas do surto de toxoplasmose em Santa Maria ainda eram desconhecidas, uma declaração do ministro da Saúde Gilberto Occhi causou desconforto nos órgãos envolvidos na investigação da doença.

Occhi foi taxativo ao afirmar à Rádio Gaúcha que o surto foi causado pela contaminação da água. A afirmação do ministro, contudo, não chegou a ser confirmada pelo Ministério da Saúde que, em nota, informou que as investigações sobre as causas do surto seguem e que “uma das conclusões é a possível fonte de infecção pela água”. Não descartando outras possibilidades, como a contaminação de hortaliças.

O secretário Francisco Paz disse que a afirmação do ministro foi “infeliz” e que mantém sua fala de ontem: as causas do surto de toxoplasmose em Santa Maria ainda são desconhecidas. “Os resultados das análises que eu tenho deram todos negativos, os do Estado e os do Ministério. Ele (Occhi)tentou simplificar a questão, que é difícil”, ressaltou.

A secretaria está aguardando, inclusive, resultados de exames que estão sendo analisados pelo Ministério da Saúde. As coletas foram levadas na segunda-feira, à Brasília, pela comitiva de técnicos do governo federal, que esteve em Santa Maria. Os resultados demoram de 15 a 20 dias para ficarem prontos.

Após a repercussão da fala do ministro, o prefeito de Santa Maria Jorge Pozzobom (PSDB) convocou uma coletiva de imprensa, onde classificou como “irresponsável” a entrevista. “A colocação precipitada está gerando pânico na população”, reforçou o prefeito, que ainda convocou o ministro da Saúde a ir até Santa Maria.

Pozzobom ainda questionou a equipe do Ministério da Saúde que estava desde 16 de abril em Santa Maria. “Os técnicos do Ministério (da Saúde) saíram de Santa Maria e nada falaram. Então os técnicos nos sonegaram informação”, ressaltou o prefeito.

 

Surto está encerrado

O secretário da Saúde ressaltou ainda que o surto de toxoplasmose está encerrado. O último caso foi registrado foi no dia 10 de maio. Contudo, “o surto existiu e a doença existe sempre no nosso meio ambiente”, por isso a importância de determinar a causa da transmissão. “Alguma coisa fez com que a população entrasse em contato com a doença de forma mais aguda”, declarou.

Coletas de amostras de água já foram realizadas na estação de tratamento de água, em reservatórios públicos e particulares, em açudes que fornecem água para cultivo de verduras e, inclusive, nas residências de pessoas que tiveram as doenças. “Até o momento não recebemos nenhum resultado de exame que positivasse a presença da doença aqui ou ali”, ressaltou.

A forma mais comum de contrair a toxoplasmose é pela ingestão de carnes cruas ou pouco cozidas – como salames e linguiça – ingestão de água ou leite não fiscalizado. A contaminação também pode se dar pelo oocisto do parasita (local onde o parasita se desenvolve) – que se encontra nas fezes de gatos doentes.

 

 

 

 

*Correio do Povo

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