Terça-feira, Setembro 29

Produção de frango readequada após embargo da UE

A notícia da regulamentação da União Europeia que proíbe a importação de carne de frango de, pelo menos, 20 frigoríficos brasileiros, já era esperada pela Associação Gaúcha de Avicultura (ASGAV). A publicação que ocorreu nessa quinta-feira (17) faz parte de rescaldos decorrentes da terceira fase da Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal, em março do ano passado.

O embargo, que implica no fluxo produtivo do setor que trabalha com seis meses de planejamento, fez com que já houvesse redirecionamento de volumes a serem produzidos para a Europa, de acordo com o diretor executivo da ASGAV e também do Sindicato da Indústria de Produtos Avícolas no RS (SIPARGS), José Eduardo dos Santos. “Já havia um embargo preliminar no Ministério da Agricultura há 20, 30 dias. O setor, naquela ocasião, já vinha tomando as devidas providências. Além do redirecionamento de volumes, havia a preocupação com o mercado consumidor interno, que está um tanto retraído”, afirma. Na Europa, o tipo de corte mais importado é o do peito do frango.

Diante de uma realidade que já era conhecida, os produtores precisaram, também, adequar a sua produção. “Houve essa readequação, porque há um planejamento de volume pro mercado externo e para interno, ocasionando um excesso de oferta. Estamos analisando e avaliando, para que isso seja passageiro, mas que possa se capitalizar para indústria e para o produtor”, declara Santos. O cenário faz com que as entidades representativas do setor de avicultura se reúnam com Ministério da Agricultura, Governo Federal e representantes para reabrir um diálogo com a União Europeia e buscar reverter o impasse, assegura o diretor.

 

A investigação que proibiu a importação:

O grupo é investigado por fraudar resultados de análises laboratoriais relacionados à contaminação pela bactéria Salmonella pullorum. Em nota, a BRF, dona das principais marcas brasileiras, e que detém 12 dos 20 frigoríficos envolvidos, negou riscos para a saúde da população. No regulamento, as autoridades europeias dizem que a partir de março de 2017 os Estados-Membros notificaram “um número significativo de casos de incumprimento grave e reiterado devido à presença de Salmonella em carne de aves de capoeira e preparados de carne de aves de capoeira originários de vários estabelecimentos no Brasil”.

Ainda de acordo com o regulamento, as autoridades competentes brasileiras foram informadas destes casos e convidadas a tomar as medidas corretivas necessárias. “As informações recebidas das autoridades competentes brasileiras e os resultados dos controles oficiais nas fronteiras da União não permitiram demonstrar que foram tomadas as medidas corretivas necessárias para corrigir as deficiências identificadas. Por conseguinte, não existem garantias suficientes de que esses estabelecimentos cumprem atualmente os requisitos da União, e os seus produtos podem, por conseguinte, constituir um risco para a saúde pública”, informa o documento publicado no Jornal Oficial da União Europeia. “É, pois, necessário retirá-los da lista de estabelecimentos a partir dos quais são autorizadas importações de produtos à base de aves de capoeira na União”, acrescenta o documento, ao afirmar que investigações e medidas adotadas recentemente no Brasil indicam não haver garantias suficientes de que os estabelecimentos citados cumprem os requisitos aplicáveis da União. “Os produtos podem, por conseguinte, constituir um risco para a saúde pública e é conveniente retirá-los da lista de estabelecimentos a partir dos quais são autorizadas importações de carne e produtos à base de carne na União”, conclui o regulamento.

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