Até quinta-feira, 1º de março, a Polícia Civil do Paraná contabilizava 40 crianças e adolescentes que, comprovadamente, enviaram imagens e vídeos pornográficos para um pedófilo de 22 anos preso em Chapecó no dia 20 de fevereiro, quando foi deflagrada a Operação Anjo da Guarda, com o apoio da Polícia Civil de Santa Catarina.

As vítimas passam de 50 e estão sendo identificadas com o apoio do Facebook e da Polícia Federal. São garotos com idade entre 9 e 12 anos, com quem o criminoso mantinha contato pela rede social se passando por uma menina da mesma faixa etária, sob os nomes de “Mariana Matos”, “Maria Isabela”, “Inês Souto” e “Mariana Castro”, expôs o delegado operacional da 5ª Subdivisão Policial de Pato Branco (PR), Nilmar Manfrin.

Somente em um dos perfis falsos, havia mais de cem menores adicionados como amigos.

Pedido é para que pais verifiquem conversas dos filhos

Já foram constatadas vítimas em sete Estados brasileiros: Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Neste último, foram confirmadas duas em Tenente Portela e uma em Frederico Westphalen, na região Norte. No momento, a polícia pede que os pais verifiquem as redes sociais dos filhos e caso encontrem conversas do gênero, mesmo que não contenham envio de imagens íntimas feitas pelos menores, procurem a delegacia mais próxima para registrar boletim de ocorrência.

É necessário apreender os celulares ou dispositivos utilizados para averiguar se foram encaminhados materiais pornográficos desses aparelhos para coleta de provas contra o homem, que confessou os crimes quando foi preso. “Ele encaminhava imagens pornográficas de uma suposta criança do sexo feminino da mesma faixa etária das vítimas e pedia outras em troca. Depois que obtinha a primeira imagem ou vídeo, passava a chantageá-las, ameaçá-las e coagi-las a continuarem fazendo isso cada vez de maneira pior”, contou o delegado.

Na casa onde ele residia, no bairro Efapi, os agentes apreenderam CPU, celular, modem, pen drive e outros equipamentos eletrônicos que passarão por perícia.

Pedófilo queria trocar sorvete por relações sexuais

As investigações tiveram início no fim de janeiro, quando uma mulher procurou a Polícia Civil de Pato Branco, no Paraná, após constatar que o filho de 11 anos estava sendo coagido a enviar imagens suas praticando atos libidinosos, um vídeo envolvendo o irmão de 5 anos. “O homem marcou encontro com o menino para o dia 3 de fevereiro, mas a mãe descobriu e denunciou antes. Ele queria manter relações sexuais em troca de um sorvete. A progressão nesse caso foi assustadora desde o primeiro contato, foram apenas seis dias. O investigado tinha o mesmo modus operandi, adicionava como se fosse uma menina, começava com uma conversa inocente, enviava sempre a mesma imagem pornográfica e pedia outra em troca. Aí ameaçava divulgá-la nas redes sociais, contar para os pais”, relatou Manfrin.

O preso não possuía antecedentes policiais e foi indiciado, no caso dos irmãos de Pato Branco, pelos crimes de estupro de vulnerável consumado e tentado, tortura e por armazenar materiais contendo sexo explícito envolvendo crianças ou adolescentes e instigá-los a praticarem atos libidinosos, delitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Psicóloga e psicanalista aspirante Denise Zanatta dá dicas

Sinais podem ser indicativos de abuso sexual

  • Mudanças bruscas de comportamento, muitas vezes, inesperadas. Ou o que era habitual deixa de ser ou acrescenta comportamentos não habituais.
  • Proximidades excessivas com algumas pessoas. Abusador tende a ganhar a confiança das crianças, fazendo com que se cale.
  • Comportamentos infantis repentinos, os quais já haviam abandonado, como voltar a fazer xixi na cama.
  • Silêncio predominante.
  • Falta de concentração, alterações no sono, aparência descuidada.
  • Interesse por questões sexuais, comportamento sexuado.
  • Marcas físicas de agressões.
  • Enfermidades psicossomáticas como dores de cabeça constantes, vômito.
  • Queda na aprendizagem e atenção na escola, injustificada.

OBS: Às vezes, esses sinais podem indicar negligência. Outras vezes, também a negligência pode influenciar situações de abuso.

Orientações

  • É importante explicar que o corpo dela ninguém pode mexer e, caso alguém mexa, você precisa saber.
  • Se seu filho reclama da convivência com algum amigo, tente compreender o motivo.
  • Não falar com estranhos.
  • Não deixe a internet liberada aos seus filhos. Cuide o que ele está postando nas redes sociais e as páginas que tem pesquisado, bem como sua frequência.
  • Tenha uma relação de confiança com seu filho.