Anvisa aprova medicamentos inéditos para o câncer no Brasil

Produtos chegarão ao mercado de acordo com a programação de cada fabricante

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou quatro novos medicamentos para o câncer no Brasil. A lenalidomida, o durvalumabe, o olaratumabe e o netupitanto associado com a palonosetrona são medicamentos inéditos no país e ampliam as variedades para o tratamento de diferentes tipos de câncer. A Anvisa informa que os produtos chegarão ao mercado de acordo com a programação de cada fabricante.

Os medicamentos, aprovados no final do ano de 2017, trazem muitos benefícios para os pacientes oncológicos. Um dos produtos, o netupitanto em associação com a palonosetrona, por exemplo, está aprovado para prevenção de náuseas e vômitos, um dos efeitos colaterais mais temidos pelos pacientes.  “Todos esses medicamentos com suas indicações específicas trarão muitos benefícios aos pacientes em tratamento. Um medicamento novo para controle de um efeito colateral como náuseas traz significativos resultados na resposta ao tratamento”, destaca a farmacêutica do Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN), Michelli Schaefer.

A ampliação de opções de tratamento contribui cada vez mais para atender as necessidades individualizadas do paciente. “Na oncologia, os medicamentos biológicos têm ganhado um espaço cada vez maior e demostrando resultados consistentes nos tratamentos, ampliando o leque de escolha mais adequada para cada paciente individualmente”, ressalta Michelli.

A farmacêutica observa que a chegada desses medicamentos no mercado dependerá do calendário dos laboratórios. “Acredito que, com a aprovação da Anvisa, logo teremos disponível esses medicamentos para utilização”, comenta a farmacêutica.

Confira os novos tratamentos aprovados pela Anvisa:

Durvalumabe
Foi aprovado para o tratamento em segunda linha do carcinoma urotelial para doença localmente avançada ou metastática com progressão durante ou após o tratamento com platina. É um anticorpo monoclonal contra o receptor PD-L1. A inibição do PD-L1 no tumor e estroma tumoral aumenta a eficácia do ataque imunológico dos linfócitos T contra as células neoplásicas. “Essa aprovação pela Anvisa amplia as opções em tratamento deste tipo de câncer em segunda linha e naqueles pacientes que não toleram a quimioterapias”, observa a farmacêutica do CTCAN.

Olaratumabe 
Em associação com a doxorrubicina, o olaratumabe tem indicação para tratamento de sarcoma de partes moles. É um anticorpo monoclonal que reconhece e liga-se especificamente à proteína PDGFR-a (receptor-a do fator de crescimento derivado das plaquetas). Essa proteína estimula o crescimento e divisão celular. A inibição do PDGFR-a pelo olaratumabe resultou em aumento da sobrevida global quando comparado à doxorrubicina em monoterapia. “É uma boa opção de tratamento para pacientes que não podem fazer radioterapia ou realizar procedimento cirúrgico”, destaca Michelli.

Lenalidomida
Em combinação com dexametasona, a lenalidomida é indicada para paciente com mieloma múltiplo refratário ou recidivado que já tenham recebido pelo menos um tratamento anterior. Também tem indicação para pacientes com anemia dependente de transfusões decorrentes de síndrome mielodisplasica. “A Anvisa definiu algumas regras para o controle especial do medicamento, pois pode causar malformação congênita grave. O tratamento foi regulamentado como produto controlado”, pontua a farmacêutica.

Netupitanto em associação com a palonosetrona 
O netupitanto, associado com a palonosetrona, foi aprovado para prevenção de náuseas e vômitos agudos ou tardios em pacientes que estão em tratamento quimioterápico de alto e moderado potencial emetogênico. De acordo com a farmacêutica do CTCAN, é uma novidade que beneficiará os pacientes que estão em tratamento, pois é o segundo efeito colateral mais temido entre os pacientes oncológicos, impactando significativamente na qualidade de vida. “Em estudos de fase 3 já pode-se perceber sua eficácia e boa tolerabilidade, com atividade por vários dias no organismo. As sociedades Americana e Europeia já fazem essa recomendação, e agora está disponível no Brasil, podendo beneficiar mais pacientes, tornando o tratamento oncológico mais confortável”, enfatiza Michelli.

*Natália Fávero/Imprensa CTCAN

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