Caso Bernardo: Justiça marca data para julgar pedido de realização do júri em Porto Alegre

Está marcado para 7 de novembro, na 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS), o julgamento do pedido de desaforamento feito pela juíza de Direito Sucilene Engler Werle, para que o júri dos quatro réus que respondem a processo pela morte de Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos, ocorra em Porto Alegre, e não em Três Passos, onde começou o crime. O corpo da criança foi encontrado enterrado às margens do rio Mico, em Frederico Westphalen, em 14 de abril de 2014, dez dias depois de seu desaparecimento.

Em sua solicitação, a magistrada considera que por conta da repercussão do caso, inclusive internacionalmente – populares ainda depositam flores e homenagens ao menino em frente a casa onde ele morava, em Três Passos – a realização na cidade colocaria em risco a segurança dos acusados e a imparcialidade do corpo de jurados, pois não há garantia de que as pessoas que atuam como juízes de fato naquela comarca não tenham participado anteriormente de manifestações pedindo justiça em razão da morte do garoto ou mantenham vínculo com gente ouvida durante o processo, por exemplo. Além disso, o salão tem 50 lugares e não comportaria um júri com essas proporções.

 

Relembre o caso:

Segundo a acusação do Ministério Público, em 4 de abril de 2014, a madrasta do menino, Graciele Ugulini, saiu de caminhonete com Bernardo da cidade onde moravam, na região Celeiro, para levá-lo a Frederico Westphalen para comprarem um televisor e irem a uma benzedeira. No caminho, a então enfermeira foi multada por excesso de velocidade entre Tenente Portela e Palmitinho, ocasião em que um policial rodoviário estadual viu o menino no banco de trás.

Já no destino, distante cerca de 80 quilômetros, passaram na residência da amiga, a assistente social Edelvânia Wirganovicz, embarcaram em seu carro e seguiram para a linha São Francisco, onde dois dias antes, deram início à abertura de um buraco. Na época, Edelvânia disse à polícia que a madrasta deu sedativos ao menino com a desculpa que era para que não “vomitasse” e lhe aplicou uma injeção letal. Sem roupas, depositaram o cadáver em uma cova às margens do rio Mico, no meio do mato. Jogaram pedras e soda para que se decompusesse mais rápido e não liberasse mau cheiro.

Em troca de dar um sumiço no garoto, ela receberia dinheiro e a madrasta teria prometido pagar as prestações de seu apartamento, de R$ 96 mil. O irmão de Edelvânia, Evandro Wirganovicz, teria participado da ocultação do cadáver, enquanto que o pai do menino, o médico Leandro Boldrini, é apontado como fornecedor da receita do remédio dado em excesso ao menino e também como mentor do crime, cuja motivação seria a partilha de bens da família. A mãe de Bernardo, Odilaine Uglione, cometeu suicídio na clínica do marido em 2010.

Desde então, o garoto era visto como um empecilho na vida do médico, da enfermeira e da filha do casal. Os quatro estão presos desde 2014.

 

 

 

 

*Cristiane Luza/Folha do Noroeste

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