UTI em estado grave

Com a cara e a coragem, o Hospital Santo Antônio de Tenente portela construiu e em março deste ano começou os atendimentos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Pelo local, já passaram mais de 150 pacientes de toda a região, a maioria deles internados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A portaria 1.927, de 28 de junho, publicada no Diário Oficial de 3 de julho, garantiu a habilitação do serviço. “A notícia da habilitação trouxe alegria e ao mesmo tempo preocupação, em função de que o valor do impacto financeiro anunciado equivale a um acréscimo de R$ 93.190,82 ao mês, durante 12 meses, sendo que após este período, este valor passa a fazer parte da série histórica do faturamento da instituição, conforme contrato com o gestor estadual”, explicou a presidente da instituição, Mirna Brauks.

O valor anual recebido pela instituição será de R$ 1.118.289,92, o que dará cerca de R$ 400 para a manutenção de cada leito, o valor representa metade do que é praticado hoje pelo Ministério da Saúde (MS) que, de acordo com a Portaria nº 2.351, de 5 de outubro de 2011 é de R$ 800 a diária. “Esse valor mensal cobre cerca de 50% do custo para manter a UTI aberta e em funcionamento. O nosso hospital possui hoje uma das melhores estruturas de UTI da região, com equipamentos de ponta e profissionais qualificados. Salientamos que a referida unidade foi implantada com recursos próprios. Porém, o motivo de orgulho hoje representa também preocupação de como manter a UTI em funcionamento visto o déficit mensal que se apresenta desde já, em função do reduzido valor financeiro que será repassado pelo Ministério de Saúde”, ponderou a presidente.

Desde o início de seu funcionamento, a casa de saúde faz o levantamento mensal dos pacientes atendidos pela unidade. Acompanhe na tabela.

 

Mesmo preocupada com o aporte financeiro e em busca de uma resolução para este impasse, a administração do hospital considera que possuir leitos de UTI em um Hospital Geral significa segurança e resolutividade dos nos serviços prestados, bem como a possibilidade de implantação de outros serviços de alta complexidade. “O futuro é incerto, mas é importante pensar em tudo o que já foi investido, bem como nos atendimentos que esta instituição hospitalar oferece para a população regional, evitando a transferência dos pacientes para grandes centros e salvando muitas vidas”, finalizou Mirna.

Procurado por nossa reportagem o coordenador da 19ª CRS, Fernando Panosso, disse que não tem conhecimento do porquê a UTI está recebendo 50% do valor e se manifestará em outra oportunidade.

 

A UTI:
A Unidade adulto tipo II conta com 10 leitos oito habilitados pelo Ministério da Saúde (MS) para atendimento ao SUS. Fazem parte da equipe, dois médicos intensivistas, cinco médicos plantonistas, um enfermeiro coordenador, cinco enfermeiros assistenciais, 23 técnicos de enfermagem, dois fisioterapeutas, um fonoaudiólogo, além de contar com o aporte 24 horas dos serviços de análises clínicas e exames de imagem.

De acordo com o médico intensivista André Delphini Cincerre, a unidade dá uma segurança maior para todos os profissionais médicos que atuam no HSA e também para pacientes. “Já salvamos algumas vidas depois que a UTI foi aberta e até então, entre o paciente fazer algum procedimento em um hospital com ou sem UTI, logicamente ele irá optar por aquele que tem o recurso médico. O hospital é que está arcando com os custos desse aporte, que não são baixos. Salientamos, inclusive, que o valor que virá com a habilitação vai ajudar, mas não cobre os custos de um paciente de UTI hoje, o SUS precisa rever urgente sua tabela de valores”, destacou o profissional.

 

 

 

 

 

*Heloise Santi/Folha do Noroeste

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