Retorno de presos ao RS interromperá redução da criminalidade, alerta Schirmer

A queda constante dos índices de delitos será interrompida com o retorno dos criminosos gaúchos, considerados de alta periculosidade, que estão recolhidos em penitenciárias federais desde a operação Pulso Firme desencadeada em julho de 2017. O alerta é do secretário estadual da Segurança Pública durante a divulgação, na manhã desta terça-feira, dos indicadores de criminalidade do primeiro semestre de 2018 no Rio Grande do Sul com destaque para Porto Alegre.

Cezar Schirmer criticou a decisão de quatro juízes da Vara de Execuções Criminais de Porto Alegre que negaram a renovação da permanência de detentos de alta periculosidade nos estabelecimentos prisionais federais. “Eles vão rearticular suas facções criminosas e podem intensificar até as disputas entre si devido ao desequilíbrio entre os grupos de Porto Alegre e do interior” previu.

“Esse é um risco gravíssimo. Esses criminosos juntos têm 800 anos de prisão além do que já cumpriram. Acho péssima a decisão e manifesto minha inconformidade. Essa decisão é um desastre do ponto de vista da segurança pública independente de governo. Pode falar com qualquer integrante da Polícia Civil e Brigada Militar. Os argumentos são pífios e ilógicos. É um absurdo.”, ressaltou.

“Entre um ano antes e um ano depois da operação Pulso Firme, nós reduzimos 25% de homicídios e 64% de latrocínios em Porto Alegre. Os números falam por si. A volta desses criminosos, altamente perigosos e chefes de organizações criminosas, é uma derrota terrível das forças de segurança e uma vitória do crime. É um desastre essa decisão”, desabafou.

Cezar Schirmer observou ainda que não se tratam de criminosos comuns. “São assassinos contumazes e latrocidas, chefes de organização criminosa” lembrou. “A transferência insere-se em uma política de enfrentamento do crime e deu resultado”, reafirmou. “Nós selecionamos os presos a dedo para ver quais tinham de ir embora daqui”, recordou, destacando que as penitenciárias federais existem para acolher presos de alta periculosidade de todo o País.

“Estamos trabalhando com o plano ‘A’ que é o recurso. O Ministério Público já está recorrendo da decisão e o Governo do Estado também vai recorrer da decisão judicial. Nossa expectativa é de que o Tribunal de Justiça compreenda a realidade da segurança pública e as consequências sobre isso’, declarou.

 

Indicadores:

Com diminuição em todos os delitos, os indicadores de criminalidade do primeiro semestre de 2018 em comparação ao mesmo período de 2017 no Rio Grande do Sul apontaram uma queda de 25,7% nos homicídios dolosos (que passou de 1.470 casos com 1.601 mortos para 1.092 ocorrências com 1.208 vítimas) e de 35,6% nos latrocínios (que foi de 73 contra 47 ocorrências).

Em Porto Alegre, a redução foi de 19,8% nos homicídios dolosos (caindo de 334 para 268 casos) e de 30% nos latrocínios (que diminuiu de 10 para 7 ocorrências). A única exceção na tendência foi em relação aos roubos de veículos na Capital que subiram 2,4% na comparação entre os primeiros seis meses de 2017 e 2018, com 4.615 casos registrados este ano enquanto no período anterior ficou em 4.505 ocorrências.

 

 

 

*Correio do Povo

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